Desigualdade de gênero nas especialidades médicas


Segunda a Demografia Médica do ano de 2020, os homens representavam 53,4% da população de médicos e as mulheres, 46,6%. Há cinco anos, na pesquisa de 2015, médicos homens somavam 57,5% do total, e as médicas, 42,5%. Já em 1990, as mulheres eram 30,8%. Dessa forma, é possível perceber que existe uma crescente inserção das mulheres no campo médico, fato que deve ser muito comemorado e celebrado.


Apesar disso, é importante analisar e refletir sobre esses dados com um olhar crítico... E quando fazemos isso, é possível perceber que o aumento do número de mulheres ingressando na medicina não necessariamente acompanha um evolução no quesito da desigualdade de gênero nesse meio.


Pensando nisso, a coluna dessa semana veio trazer a questão da desigualdade de gênero nas especialidades médicas.


Você sabe quais especialidades que apresentam mais mulheres do que homens? Sabe como a desigualdade de gênero pode ser expressa em decorrência desse fenômeno?


Vamos entender...


Duas especialidades que apresentam maior concentração de mulheres são a Pediatria e a Ginecologia e Obstetrícia.


Nessas especialidades foi possível perceber que a partir do momento que as mulheres médicas estão se tornando sobrerrepresentadas, esse fenômeno parece estar associado com um declínio relativo nos ganhos para médicos dessas especialidades ao longo do tempo. Com isso, é possível perceber que o processo de "feminização" dessas especialidades trás um processo de desvalorização salarial.


Entretanto, essa diferença salarial entre especialidades "femininas" e "masculinas" não é justificável, já que a pediatria, a obstetrícia e a ginecologia, por exemplo, não representam planos de carreira que requerem claramente menos capital humano ou que envolvem horários de trabalho mais "leves".


Dessa forma, é possível perceber que a desigualdade de gênero está expressa até mesmo em aspectos que não percebemos ou analisamos cotidianamente e até mesmo em campos em que podemos perceber certos progressos nessa área, mas que ainda precisam de muito avanço para promover a igualdade entre homens e mulheres.


Conseguiu perceber a desigualdade de gênero expressa no campo médico?


Embora um excelente progresso tenha sido feito na graduação em relação a um número igual de homens e mulheres da faculdade de medicina, ainda podemos ver o gap de gênero na área médica em diversos âmbitos além das especialidades, como nos processos de residência por exemplo. Assim, é importante que nos informemos sobre essas desigualdades para que possamos lutar para que elas deixem de existir e para que meninas e mulheres conquistem seus sonhos de maneira mais efetiva e justa!


Vamos juntas (os) ?


Fontes: Demografia Médica 2020 e When a Specialty Becomes “Women’s Work”: Trends in and Implications of Specialty Gender Segregation in Medicine.

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